Quarta-Feira, 3 de Dezembro de 2008   

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No Niassa Hoteleiros devem ao FUTUR

Operadores de hotelaria e turismo baseados na província do Niassa estão na rota de colisão com o Fundo do Turismo (FUTUR). Tudo deve-se ao não cumprimento dos compromissos assumidos aquando da recepção do referido fundo.

Segundo o director provincial do Turismo, Pinto Madeira, dos cinco beneficiários do fundo a nível da província, somente um é que honra os compromissos.

“Naquilo que era a atenção do FUTUR para a província do Niassa, coube um bilião de meticais para cinco operadores. Destes temos o senhor Romão Paulo em Mandimba único que exemplarmente cumpre as suas obrigações. Há dificuldades dos outros em cumprir as obrigações,” disse Madeira.

Madeira afirmou ainda que uns já ultrapassaram o período de graça e nem se quer deram satisfações.

Esta situação segundo o nosso interlocutor coloca em desvantagem novos candidatos ao FUTUR, na medida que não há retorno do dinheiro.

“Mesmo assim, neste ano estamos a espera de mais interessados em obter financiamento do FUTUR. Temos um projecto em Nipepe que só falta completar a documentação para ser submetido a apreciação,” afirmou.

Questionado sobre o passo a seguir para com os devedores do FUTUR, o director Madeira fez a seguinte leitura.

“Não é a Direcção Provincial do Turismo que vai trabalhar nisto, mas sim o próprio FUTUR. Nós só aproximamos os operadores para que possam honrar os compromissos. Na falta disso nós canalizamos ao FUTUR e este por sua vez vai efectuar a cobrança coerciva. Agora a falta de devolução implica que não haja outros créditos para novos candidatos. Tiveram o benefício de serem os primeiros e não podem aparecer segundos por causa da não devolução de dinheiros,” explicou.

Para o director do Turismo no Niassa o desenvolvimento de instâncias turísticas na província do Niassa conheceu nos últimos cinco anos um crescimento assinalável.

Dos 24 estabelecimentos para hospedagem que existiam em 2000, a fasquia subiu para 51 estabelecimentos em 2004, com o maior número a pertencer aos privados.

“Sendo um investimento privado, significa que há procura dos serviços. Ninguém iria arriscar aplicar o seu dinheiro para não haver retorno. Com estes números, temos 718 camas em toda a província do Niassa,” disse Madeira.

A maior satisfação do sector é ter em cada sede distrital uma pensão para hospedagem. Mas também, o maior desafio passa pela melhoria da qualidade destes estabelecimentos.

E para que isso aconteça, a direcção do Turismo vai formar operadores na melhoria dos serviços prestados aos seus clientes.

Constitue preocupação para a província a falta de classificação dos estabelecimentos hoteleiros, mas, segundo soubemos do director, o cenário vai mudar nos próximos dias pois “neste momento está parado o processo porque está em debate o Regulamento do Turismo que virá orientar a classificação. Verifica-se muita disparidade entre o preço cobrado e o serviço prestado. O Ministério do Turismo criou uma equipa para trabalhar na reclassificação. Encontramos agora pensões e hotéis sem classificação. Os preços vão corresponder à classificação dos hotéis e pensões, o que não acontece actualmente.”


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