Quarta-Feira, 3 de Dezembro de 2008   

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Elefantes matam mais que minas no Niassa

Em tempo de guerra o perigo eram as armas disparadas em todos os lados e direcções no campo. Com o advento da paz, a intraquilidade é ensombrada pelo ataque de elefantes que se multiplicam graças a paz.

O saldo é negativo para o Homem que viu seis vidas a serem apagadas pela acção destrutiva do elefante em Maúa, Nipepe e Metarica.

Por ter a maior população de elefantes de Moçambique, a província do Niassa está perante o conflito Homem animal.

Em 2003 teve início na província do Niassa um programa com vista a estancar este mal pela mão dos Serviços Provinciais de Floresta e Fauna Bravia (SPFFB) do Niassa.

António Abacar, chefe dos SPFFB o caso do conflito homem animal explica do seguinte modo:

"O Niassa possui a maior população de elefantes e a maior reserva animal de Moçambique, onde há uma actividade de conservação animal e, não há grande acção de caça furtiva. O animal multiplica-se e sai da reserva. Todo o animal de grande porte que circula na zona Norte e leste do Niassa vem da Reserva, daí que temos recebido queixas constantes de população a dar conta da destruição de culturas e ataques mortais".

Os SPFFB mobilizaram valores monetários, materiais e meios humanos para os distritos com vista a protecção de pessoas e bens.

A distribuição de 19 armas de fogo, introdução de novas técnicas de afugentamento de elefantes faz parte das acções realizadas.

Mas estas medidas, segundo o chefe dos SPFFB não têm surtido efeito desejados devido a pujança do adversário.

"O que acontece é que não há formas mais eficaz de combate particularmente com o elefante. O elefante é um animal inteligente, mamífero de grande porte equipado com inteligência, aprende com facilidade e muda de táctica," aclarou.

Piri-piri e abate selectivo de elefantes

Do Zimbabwe foi trazida uma nova experiência. O uso de piri-piri no afugentamento de elefantes e está a surtir efeito positivo em Marrupa, Metarica e Maúa e há previsão de expandir para as outras zonas da província.

Esta experiência vai minorar o uso de armas de fogo no abate de elefantes problemáticos por caçadores locais que outrora trouxe dissabores.

"Os elefantes problemáticos são aqueles que mudam de comportamento. Vivem nas proximidades das aldeias onde criam pânico de dia como de noite. Muitas das vezes os caçadores locais ferem o animal e este depois de restabelecer-se ataca pessoas. A ideia é envolver caçadores profissionais privados."

Em Novembro findo, segundo Abacar, foi abatido um elefante problemático em Nipepe por um profissional de Sanga.

"Foi tudo rápido, em 30 minutos foi resolvido o problema e ele pagou 4 mil dólares pelo animal. É uma forma de rentabilizar o abate de elefantes na defesa de pessoas e bens; Um benefício para as populações locais. Ano passado abatemos 16 elefantes, mas sem proveito," frisou.

Zonas de conflito e soluções
Os distritos de Nipepe, Maúa e Metarica são propensos ao conflito homem- animal. Os números falam por si. Sete elefantes abatidos em Metarica, seis em Maúa e três em Nipepe.

Na confluência destes distritos, há um vasto potencial de animais cuja transformação em zona de maneio traria vantagens.

O chefe dos SPFFB afirmou que há vários assentamentos humanos distribuídos nesta região, o que dificulta ainda mais a defesa dos mesmos.

O Chipange Chetu
A norte do distrito de Sanga, mais concretamente em Nova Madeira está em curso o programa de maneio comunitário denominado "Chipange Chetu".

O acesso a zona por terra é difícil. A caça furtiva e a exploração de madeira tudo erafeito de forma desenfreada.

As populações foram mobilizadas no sentido de fazerem o uso racional dos recursos naturais da zona e era o estabelecimento do Chipange Chetu.

Um operador de safaris de caça estabeleceu-se na zona e tem acordos anuais com as comunidades no acesso às quotas de caça.

O resultado do trabalho deste operador de safaris de caça em 2004 foi de 30 mil dólares contra 11.400 em 2003.

"As comunidades têm dividendos neste processo. Desenhamos o seguinte modelo de divisão da receita. 57 Por cento para a comunidade, Projecto Chipanje Chetu 23 por cento e Governo de Sanga 20 por cento. O operador tem o seu valor no meio deste processo," afirmou Abacar.

No ano findo o Chipange Chetu foi visitado por 14 turistas da oriondos da Espanha, dos EUA e do Zimbabwe.

Expansão para outras zonas
Com o sucesso do programa, questionamos ao chefe dos SPFFB se há previsão de expansão do programa para outras zonas do Niassa.

"É difícil falar em expansão do Chipange Chetu. A prioridade é atingir a sustentabilidade do programa e depois podemos pensar em expandir. Esta zona de Nipepe, Maúa e Metarica é um exemplo, mas requerem investimentos financeiros que possam arcar com os custos. Queremos mostrar as comunidades que o animal apesar de destruir machambas, trás benefícios económicos," esclareceu.

As cinco toneladas de marfim
Os SPFFB continuam a receber em Lichinga marfim de elefantes abatidos nos distritos. Neste momento estão armazenadas cinco toneladas deste produto em Lichinga.

Falar em vender o material é miragem. "A nossa responsabilidade é recolher e garantir que esteja num lugar seguro. Construímos um armazém para guardar este produto. Estamos a espera do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural para dar destino," explicou.

Recolha feita por Suizane Rafael


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