Quarta-Feira, 3 de Dezembro de 2008   

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Economia: Sul-africanos investem no Niassa

A África do Sul, começa a assumir-se como o maior investidor privado na actualidade na província do Niassa. Para já as áreas de Turismo, Agricultura e reabilitação de estradas são as áreas onde os homens da terra do Rand actuam.

A África do Sul, começa a assumir-se como o maior investidor privado na actualidade na província do Niassa.

Na área do Turismo, está em curso no distrito do Lago a construção de um lodje de cinco estrelas. Este empreendimento foi lançado em Agosto de 2003.

Na Agricultura estão em Majune farmeiros desde 1997. Ano passado foi lançado o projecto de cultivo da Macadêmia.
A asfaltagem da Estrada Nacional 242, troço Litunde-Rio Ruaça e construção da ponte sobre o rio Luambala, está a cargo da Rundell Construtions desde 2002.

De 21 a 25 de Setembro, Lichinga a Alta Comissária da África do Sul em Moçambique, Thandi Rankoe visitou a província do Niassa para ver in loco o trabalho desenvolvido pelos sul-africanos.

“Tenho a dizer que venho conhecer os progressos em curso em Moçambique, passados que foram os 40 anos de início da luta armada de libertação nacional. As oportunidades de negócio aqui existentes e o trabalho que os nossos compatriotas executam,” disse Thandi Rankoe.

Sobre um possível ressurgimento do Mosagrius, Rankoe avançou que é importante que o programa volte a funcionar dado o potencial agrícola existente no Niassa.

“Fala-se muito de fome, África e Moçambique em particular é muito rico. A prioridade número um deve ser a produção de produtos alimentares, para ultrapassar este problema da fome,” frisou.

Quanto ao futuro do investimento sul-africano no Niassa, Thandi Rankoe lançou um alerta nos seguintes termos.

“Os investidores sul-africanos estão aqui para fazer dinheiro, mas também é necessário que estejam a construir unidades sanitárias para deixarem quando saírem. É necessário que estejam a transferência de conhecimento para os moçambicanos,” aclarou.

Dificuldades afectam empresários do Niassa

Dificuldades de vária índole com destaque para falta de maquinaria, transporte e financiamento bancário, fazem parte do diário dos empresários do Niassa.

Num encontro de auscultação, entre Thandi Rankoe e os agentes económicos do Niassa transmitiram o seu sentimento a Alta Comissária da África do Sul em Moçambique.

“O investimento sul-africano na província do Niassa está a crescer. O quê se pode esperar destas oportunidades em termos de parcerias com os investidores sul-africanos? Esta é uma ocasião, para expormos as nossas preocupações. Mas não é para solucionar os nossos problemas,” disse o director do Programa Avante Niassa, Inocêncio Sotomane.

Francisco Cuinica, um agricultor por conta própria e associado na NIMOZFARM disse na ocasião que trabalha com meios próprios.
“Tenho uma área onde cultivo hortícolas, milho e outras culturas. Não tive apoio de tractor no Mosagrius. Logo que tiver irei expandir a minha área de cultivo,” disse.

Zefanias Manhique, construtor civil baseado em Lichinga, falou das dificuldades com que se debatem os construtores.
“Temos dificuldades em meios de trabalho. Adquirimos os nossos transportes em Dubai e há muitos encargos para trazer a mercadoria aqui. Qual seria a possibilidade de facilitar uma troca de experiência com os empresários sul-africanos nesta matéria,” disse Manhique.
“Desculpem por visitar tarde o Niassa,” Thandi Rankoe.
Por seu turno a Alta Comissária da África do Sul, desculpou-se aos presentes pelo facto de ter atrasado na sua visita ao Niassa.
“Desculpem por visitar tarde a província do Niassa. Moçambique é um nosso grande parceiro. Tem problemas similares como os nossos. A impressão com que fico é que alguma coisa está sendo feita na província do Niassa rumo ao desenvolvimento. Visitei algumas áreas com investimento sul-africano e estou muito satisfeita,” disse Rankoe.

Para Thandi Rankoe deve haver lugar para passagem de conhecimento entre os sul-africanos e moçambicanos nas farmas de Majune.
“Depois desta visita darei o ponto da situação sobre o Mosagrius, vou levar a proposta ao Departamento da Agricultura da África do Sul que está interessado em investir no Niassa. A questão das distâncias entre Niassa e Dubai é um assunto importante que vocês devem ter em conta. Se não sabem contactem conosco, vamos ver o que se pode fazer, alguém pode viajar a África do Sul neste sector,” afirmou.

Sobre a problemática da falta de transportes, há uma necessidade de se criar infra-estruturas, sem as quais nada é feito.
“Falara-me que o comboio aparece uma vez por mês aqui em Lichinga, é um período longo demais. Mas também há investimentos na reabilitação de estradas, pontes e outras. Não podem ver isso aqui na cidade de Lichinga mas ao nível do campo é possível. Este trabalho é feito por investidores sul-africanos. Não podemos prometer que vamos fazer algo. Estamos para auscultar os problemas. Não posso dizer que vamos fazer A, B e C. Nossa tarefa vai ser de encorajar os sul-africanos a virem investir no Niassa,” aclarou Rankoe.


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