Hoje o cenário volta a se repetir com o Fundo de Apoio à Reabilitação Económica (FARE), instituição sub tutela do Ministério do Plano e Finanças, a dançar para recuperar o que emprestou.
Maior parte dos 89 beneficiários do Fundo de Apoio à Reabilitação Económica (FARE) na província do Niassa, não paga os empréstimos.
Agricultura, cantinas rurais, pescas e Agro-pecuária são as áreas que o FARE financiou nesta parcela de Moçambique.
Este informe vem num resumo da situação dos projectos financiados pelo FARE até Dezembro de 2004 feito pela Direcção Provincial do Plano e Finanças do Niassa.
O resumo aponta que os projectos aprovados e financiados dão um fluxo financeiro de cerca de 16.625,5 mil contos dos quais foram efectivamente desembolsados 12.708,6 mil contos representando 76,4 por cento de execução.
Se o desembolso foi de 76,4 por cento, o reembolso por parte dos comerciantes situou-se nos 2.656,3 mil contos, representando 21 por cento.
Alguns dos devedores são funcionários públicos do FARE espalhados um pouco por toda a província do Niassa.
Áreas de investimento
As cantinas rurais são a principal fonte do FARE. O resumo de actividades deste fundo em nossa posse, mostra que 62 financiamentos foram para esta área.
Contudo nem todos os locais previamente selecionados pelos beneficiários usufruiram dos benefícios que este fundo traz..
Embora a província do Niassa seja maioritariamente agrícola, esta área foi pouco preferida pelos concorrentes. O sector aparece com cinco pedidos financiados.
A indústria moageira, dependente da agricultura, entra com seis pedidos abonados favoravelmente.
A pesca com o potencial que o Niassa possui, somente foram financiados dois projectos a funcionar em Mandimba e Maniamba.
O caso do Mosagrius
A Sociedade de Desenvolvimento Mosagrius (SDM) é uma das grandes devedoras do FARE na província do Niassa.
A Repartição de Finanças de Lichinga (RFL) em carta datada de 4 de Janeiro corrente, volta a lembrar a direcção da SDM sobre a dívida contraída pelos farmeiros.
A preocupação da RFL não é para menos. São 2.224.64.000,00MT que devem retornar para os cofres do Estado.
Em resposta a SDM afirma que “tem vindo a prosseguir os seus esforços para a busca de uma solução para a questão da dívida contraída junto do FARE (Fundo de Apoio à Reabilitação Económica) e outros problemas relacionados com a situação sócio-económica da sociedade.”
Noutro ponto a chefia da SDM afirma que o caso das dívidas da SDM entrou no dossier da reestrutura da sociedade.
“Em torno do dossier não foram tomadas deliberações, uma vez que haviam aspectos que careciam de aprofundamento. Assim, esta matéria ficou agendada para uma nova sessão do Conselho de Ministros, a ter lugar provavelmente no dia 11 de Janeiro corrente,” acrescenta a carta da SDM
Os problemas do FARE
Na família das dificuldades figura a excessiva demora na deliberação sobre os projectos a nível central, falta de reembolso por parte dos mutuários beneficiários, entre outras. E esta demora no reembolso por parte dos projectos aprovados lesa aos concorrentes a financiamento do FARE.
É sobre esta última questão que recai o maior problema do FARE. Vários são os pedidos que aguardam na bicha pela luz verde.