Niassa juntou-se ao mundo na campanha educação para todos

Sob o lema “Eduquemos para acabar com a pobreza,” decorreu de 24 a 30 Abril último a Semana de Acção Global em todo o mundo, numa promoção de todos os organismos que trabalham na Educação a escala mundial (MEPT).

Políticos, pais e encarregados de educação, crianças, professores e sociedade civil, embarcaram no mesmo barco para delinear acções rumo à Educação.
Na província do Niassa, o movimento do MEPT ocorreu nos distritos de Lago, Mecanhelas, Ngaúma, Majune, Muembe e Mavago.

Em alguns distritos acima referenciados, verifica-se uma grande afluência de crianças aos estabelecimentos de ensino.

Em contrapartida noutros, o cenário é contrário, com tendência para mudança graças a intervenção de ONG´s e Governo. Por exemplo, nos últimos anos, verificou-se uma explosão do ensino primário em todos os distritos da província do Niassa e no ensino secundário operou-se uma estagnação total.

(Somente em Marrupa, Cuamba e Lichinga existem escolas do Governo).

Em Mecanhelas, Lago, Ngaúma, Majune, Maúa e Mandimba, a Igreja Católica tomou a dianteira tirando a província da letargia.

Nos distritos de Muembe, Mavago, Majune e Ngaúma são zonas com índices mais baixos de frequência de ensino por parte de crianças.

Debilidades financeiras das famílias, ritos de iniciação, inexistência de escolas secundárias, trabalho agrícola são as causas deste cenário.

A ajuntar estas dificuldades, aparece a aparente falta de atracção do próprio sistema de Educação e falta de políticas exequíveis no sector.

Uma amostra aleatória feita pela ONG Ibis, em seis Zonas de Influência Pedagógica (ZIP’s) de Muembe, Mavago e Majune mostra que 3.496 alunos não estudam.

Entretanto, Muembe e Mavago, dois distritos vizinhos, despertaram na corrida rumo a Educação perante o avanço dos outros.

Este despertar do ensino é trazido pela voz dos próprios administradores distritais, nomeadamente Manuel Cabral e Milagre Chilusse.

Para eles, os dois distritos necessitam de uma escola secundária para evitar que os alunos dos dois distritos se sintam desmotivados.

“O centro educacional de Chiconono pode ser transformado em escola secundária. Há espaço para esta acção. Teremos alunos de Mavago e Muembe e até distrito de Sanga. O próximo passo é termos uma escola secundária aqui,” disseram Cabral e Chilusse.

Em Majune e Ngaúma, distritos com benção de Deus, possuem cada um o ensino secundário geral.

Por Majune e Ngaúma, passam alunos de Lichinga, Nampula e outros cantos de Moçambique a procura de sossego.

Em Majune, o Governo com o peso na consciência nomeou uma mulher como administradora para dinamizar o ingresso da rapariga no ensino.

Os administradores distritais, Abôndio Monteiro e Isabel Bicá, acham que é preciso criar atractivos nas escolas para atrair as crianças.

“Temos que enviar as crianças à escola. Temos que encontrar formas de ultrapassar este problema; uma delas é o lanche escolar; com o lanche escolar a crianças sentir-se-á gratificada. Com o apoio da Ibis e do Centro Cooperativo Sueco poderemos ultrapassar os problemas,” disse Bicá.

Todavia, a resposta das comunidades perante esta nomeação política ainda é paulatina. O futuro dirá tudo a este respeito.

“Temos que ir a escola”, diz Dr Armindo Ngunga

No meio de muitos apelos para a frequência do ensino, o envolvimento de figuras públicas naturais de referência destas zonas é uma saída para o problema.

Em Muembe, o Dr Armindo Ngunga, convidou pais e encarregados de educação a enviar as crianças ás escolas.

“Temos que ir a escola. Eu que estou a falar aqui, sou professor universitário, sou natural daqui de Chuanjota. No meu tempo andávamos muito para ir a escola. Hoje a escola está perto. A partir da escola, podemos ser pilotos de aviões, mecânicos de viaturas. Fico satisfeito em saber que as crianças começam a ir a escola. A Ibis e o Governo fazem este trabalho para o nosso bem. A próxima vez que chegar aqui quero ver mais crianças nas escolas,” apelou Ngunga.


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